segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Rio de Janeiro > De 3 a 12 de dezembro, na Caixa Cultural, artistas, críticos, historiadores e intelectuais de diversas áreas discutem em seis mesas-redondas a noção de “contemporâneo” na arte e na cultura

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Seminário “Mitos do Contemporâneo”

Artistas, críticos, historiadores e intelectuais de diversas áreas discutem em seis mesas-redondas a noção de “contemporâneo” na arte e na cultura

Caixa Cultural, Rio
3, 4, 5, 10, 11 e 12 de dezembro de 2013, às 19h
Curadoria: Rafael Cardoso e Sérgio Bruno Martins
Realização: Caixa Cultural
Patrocínio: Caixa
Produção: Automatica
Entrada gratuita



A Caixa Cultural apresenta o seminário “Mitos do Contemporâneo”, idealizado e organizado pelos historiadores da arte Rafael Cardoso e Sérgio Bruno Martins, em parceria com a Automatica, que discutirá em seis mesas-redondas, de 3 a 12 de dezembro de 2013, sempre às 19h, o conceito de “contemporâneo”, na arte e na cultura. Nas duas semanas de debate – às terças, quartas e quintas-feiras – o seminário reunirá artistas, críticos, historiadores e intelectuais de diversas áreas, “de modo a encorajar discussões que extrapolem clichês e se abram para novos debates”, afirmam os curadores. Serão discussões sobre o papel central que a noção do contemporâneo desempenha “nas relações do fazer artístico com sua história, com a geografia de sua circulação, com os discursos que o cercam e com as posições estéticas e políticas que o pautam”.

Para Rafael Cardoso e Sérgio Bruno Martins, o contemporâneo é “esta noção que nos é familiar, mas que escapa a qualquer definição simples”. “Cada mesa tomará como ponto de partida um mito – uma percepção dominante, um lugar-comum ou um pressuposto – a respeito da arte e da cultura contemporâneas”, explicam.

Para discutir os temas “o contemporâneo é agora”, “o artista como marginal herói”, “arte contemporânea é para todos”, “vale tudo na arte contemporânea”, “a contemporaneidade é global”, e “a arte precisa ter densidade discursiva”, estarão presentes os artistas Laura Erber, Matheus Rocha Pitta, Marcus Vinícius Faustini e Waltercio Caldas, os historiadores Briony Fer (University College London), Frederico Coelho, Lorenzo Mammì, Paulo Sergio Duarte, Roberto Conduru, os filósofos Francisco Bosco, Nelson Brissac Peixoto, Pedro Duarte, Rodrigo Nunes, os curadores Marcio Doctors, Moacir dos Anjos, Paulo Herkenhoff, e a psicanalista e professora Tania Rivera.

O seminário será gravado e depois disponibilizado integralmente no youtube. Será ainda editado um vídeo com os melhores trechos de cada uma das mesas-redondas.

MITOS DO CONTEMPORÂNEO – PROGRAMAÇÃO
3 de dezembro de 2013 – O contemporâneo é agora
Participantes: Briony Fer, Marcio Doctors e Waltercio Caldas

O contemporâneo é quando? Quando começa e quando termina? Hélio Oiticica (1937- 1980) é considerado um nome fundador da arte contemporânea, mas quando ele morreu nem eram nascidos grande parte dos artistas que atuam hoje. Sem falar de Duchamp (1887-1968), aclamado como pioneiro e precursor da contemporaneidade, sem ser contemporâneo de ninguém com menos de 42 anos hoje (o próprio ano de sua morte é emblemático). Até onde se estenderá a noção da arte contemporânea, antes que seja esgarçada impossivelmente pela duração do período abrangido?
Contemporâneo é a mesma coisa que atualidade na arte? Nesse caso, por que há artistas vivos, atuantes, que não são considerados contemporâneos? Existe alguma coerência reflexiva que embase o conceito de contemporaneidade? Ou seria apenas uma questão de sociabilidade e pertencimento a um meio, uma identidade no sentido antropológico? Em outras palavras: como determinar se somos ou não contemporâneos do contemporâneo?

O contemporâneo tem sua história. Como o termo foi empregado no passado? Qual sua relação com o moderno e com o modernismo? Como situar o sentido do contemporâneo em uma cultura pós-moderna definida por noções de simultaneidade e multipresença, marcada pela experiência constante de compressão do tempo, na qual já foi anunciado o fim da história e roteirizado o fim dos tempos? E, na arte, teria o fim das vanguardas condenado o contemporâneo a ser uma repetição esmaecida das manobras modernas?

4 de dezembro de 2013 – O artista como marginal herói
Participantes: Paulo Herkenhoff, Rodrigo Nunes e Tania Rivera
Desde que Hélio Oiticica deu a senha, “seja marginal, seja herói”, a ideia de marginalidade do artista ganhou nova força. Na verdade, essa noção tem raízes bastante antigas, sendo apenas a versão atualizada do mito do artista boêmio, do gênio incompreendido romântico, que tem prosperado no imaginário social desde a década de 1840. Os ecos desse mito estão presentes nos personagens públicos construídos por Duchamp, Warhol, Beuys, entre outros, posicionando-se estrategicamente como outsiders para melhor usufruir de sua centralidade.

No estágio atual da arte contemporânea, alguns artistas atingem um grau de celebridade condizente com os maiores heróis artísticos do romantismo e do modernismo. E, com o reconhecimento da mídia, vem o mercado. Cada um ao seu tempo, artistas como Jeff Koons e Damien Hirst poderiam afirmar que são mais ricos e famosos do que Picasso e Dalí, com a vantagem de continuarem sendo vistos como agentes provocadores. Por outro lado, a celebridade é muitas vezes o limite para a credibilidade do artista dentro do seu próprio meio.

Com tantas mudanças nos últimos 40 anos, com o colapso do bipartidarismo ideológico e a diluição da dicotomia rígida entre centro e periferia, será que a marginalidade continua a mesma? Quem faz a arte contemporânea precisa se postar fora das convenções? E quando isto se torna também uma convenção? Seria a celebridade a nova transgressão? De que valem a intenção do artista, as noções de autoria e agência, as boas intenções, enfim, se o caminho do inferno está indicado para todos no Google? Podem ainda o crítico e o historiador fiar-se na ideia do artista como um sujeito progressista?

5 de dezembro de 2013 – Arte contemporânea é para todos
Participantes: Marcus Vinícius Faustini e Francisco Bosco

A arte contemporânea não tem público, dizem uns. A arte contemporânea é para poucos, dizem outros. A arte contemporânea não precisa de público, porque tem por propósito derrubar a barreira entre artistas e espectadores, tornando a todos participantes. Todos seriam artistas, e todos, público. Esses argumentos circulares são objeto de unanimidade surpreendente. No entanto, toda bienal e todo evento artístico realizado em espaço público anunciam com indisfarçável orgulho os números de visitantes como prova de seu êxito. Estão vendo os milhões? A arte tem público, e merece existir, portanto! Muitas críticas ao trabalho de artistas são rebatidas com o argumento de que fazem sucesso no mercado e no circuito expositivo.

Dizem ainda que a arte contemporânea produz seu(s) próprio(s) público(s). Em que sentido? E até que ponto? A arte que afirma atuar diretamente sobre uma situação social é legítima? Ou seria pura – e conveniente – ingenuidade esquecer as mediações pelas quais passam as manifestações artísticas quando circulam por galerias, museus, feiras, bienais, livros, sites e universidades? Quem é o público da arte contemporânea? Existe alguém que não o seja? A arte tem seus inimigos? Quem seriam eles, e por que motivos?

10 de dezembro de 2013 – Vale tudo na arte contemporânea
Participantes: Paulo Sergio Duarte, Matheus Rocha Pitta e Lorenzo Mammì

Não existe cânone na pós-modernidade. Todas as tentativas recentes de refazê-los, nos estudos literários e em outras áreas, têm redundado em cisões e dissensões ainda mais profundas. Todavia, a falta de um cânone explícito não impede que proliferem premissas e regras não escritas. Todo artista jovem, recém-saído da escola de artes, já sabe o que o circuito e o mercado aceitam, ou não. Por um lado, nada é proibido: conceitualmente, vale tudo, desde que Piero Manzoni nos presenteou com sua “Merde d’artiste”, em 1961. Por outro lado, muitas técnicas e mídias são vistas com desconfiança, na prática, como provam as discussões reiteradas em torno da “volta” da pintura em décadas passadas, ou os limites, sempre bem patrulhados, que separam a produção artística daquelas descritas como artesanato, design ou cinema.

Nenhum crítico ou historiador escreve que um trabalho é “bom” ou “ruim”. Mas, em aberturas e conversas entre amigos, ninguém se furta a classificar seus escolhidos. Como ocorre a consagração artística no mundo atual? Na falta de um cânone institucional ou de uma unanimidade crítica, quem decide? Seria simplesmente um conluio entre mercado, instituições, curadores e artistas – o famigerado dealer-critic system, diagnosticado nos anos 1960 e raramente discutido? Ou existem outros valores a regerem o circuito que não os econômicos? E qual o papel do sistema expositivo internacional – das bienais, dos museus, das premiações – na consolidação de novos valores artísticos?

11 de dezembro de 2013 – A contemporaneidade é global
Participantes: Moacir dos Anjos, Roberto Conduru e Nelson Brissac

Paris era o centro artístico do século 19. Nova York era o centro artístico do século 20. E no século 21, não há centro? Existe um trânsito crescente entre artistas em todo o mundo, nitidamente perceptível em um país como o Brasil, antes bastante marginal ao sistema. Nunca tantos artistas brasileiros conseguiram levar seu trabalho para o exterior e obter reconhecimento nos centros tradicionais do circuito artístico internacional. Ainda assim, cabe a pergunta: a arte contemporânea é igualmente contemporânea no Brasil e na China?

Será o meio artístico a vanguarda, por assim dizer, de uma nova ordem internacional? A aldeia global veio mesmo para ficar? Em caso afirmativo, quais os ganhos e as perdas para a arte local? Há quem critique a crescente homogeneização das linguagens, como contrapartida sombria da maior internacionalização. Em um país como o Brasil, onde a relação entre arte erudita e arte popular nunca foi devidamente esclarecida, quais serão as decorrências possíveis da globalização cultural?

12 de dezembro de 2013 – A arte precisa ter densidade discursiva
Participantes: Laura Erber, Frederico Coelho e Pedro Duarte

A máxima “uma imagem vale mil palavras” tornou-se corrente nos séculos 19 e 20, resumindo o entusiasmo da era moderna com a nova visualidade – em especial, com a fotografia. Com a ascensão de novos paradigmas reflexivos na discussão da arte, ganhou força a inversão irônica dessa frase: “uma imagem não vale nada sem mil palavras”. Hoje, o discurso impera.

A arte moderna foi constituída por manifestos e posicionamentos críticos, culminando numa quase autonomia do discurso em relação ao objeto a partir da década de 1960. O legado dessa tradição é uma crescente densidade discursiva que passa, na conjuntura atual, de sua localização ortodoxa nos textos de críticos e curadores para uma ênfase nova em escritos dos próprios artistas. Quais os caminhos futuros desse entrelaçamento? Ainda é possível uma autonomia do objeto artístico, ou o deslizamento entre linguagens e registros é uma tendência incontrovertível?

Serviço: Seminário “Mitos do Contemporâneo”
3, 4, 5, 10, 11 e 12 de dezembro de 2013, das 19h às 21h
Caixa Cultural, Rio
[Cinema 2]
Capacidade: 83 pessoas
Entrada gratuita, com distribuição de senhas às 18h
Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro
Telefone: 21.2262.5483

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